Neurologia e Comportamento: Ansiedade canina: saiba como o distúrbio pode afetar a saúde do pet

Neurologia e Comportamento: Ansiedade canina: saiba como o distúrbio pode afetar a saúde do pet

Neurologia e Comportamento: Ansiedade canina: saiba como o distúrbio pode afetar a saúde do pet

Cães podem desenvolver ansiedade pela ausência do dono, por barulho e falta de atividades. Sintomas podem ser agravados e vão desde lambedura excessiva da pata até a falta de apetite

Lambedura excessiva da pata, comportamento eufórico, necessidade de marcar território em vários cantos da casa ou até mesmo no próprio dono, esses são alguns dos sintomas de ansiedade canina, que pode afetar a saúde do animal.

No Brasil, cada vez mais aumenta o número de animais de estimação dentro das residências. De acordo com os números levantados pelo IBGE e atualizados pela inteligência comercial do Instituto Pet Brasil – sobre a população de animais de estimação em todo o território nacional –, cerca de 54,2 milhões de cães já fazem parte de alguma família em todo o país.

Ao contrário de alguns anos atrás, o cachorro já não é mais visto apenas como um cão de guarda e sim como um ente da família e, em muitos casos, também é tratado como um “filho pet”, sendo cada vez mais humanizado pelo tutor. Mas até onde essa humanização é saudável para a vida do cão?

A humanização dos animais é uma realidade que pode resultar em uma grande dependência emocional do tutor e do cão, contribuindo para que o pet desenvolva distúrbios como ansiedade, hiper apego e depressão.

Esse distúrbio pode ser atacado a qualquer momento no cão, seja por uma crise de ansiedade de separação ou ansiedade por barulho, qualquer uma delas é um sofrimento para o animal e precisa ser tratado.

Segundo o veterinário Adelmo Guilhoto Miguel, de Sorocaba (SP), não é só o cão que sofre por antecedência, os tutores também tendem a desenvolver esse problema e, consequentemente, estimulá-los em seus animais.

“Muitos tutores também ficam ansiosos por deixar os seus pets. Percebo isso em situações rotineiras da clínica quando algum paciente precisa permanecer no local por algumas horas para algum procedimento cirúrgico, exames ou tratamentos. Há uma relação bilateral de confiança e afeto entre as duas partes e sempre que isso é quebrado há um sofrimento emocional estabelecido”, explica.

Ansiedade canina

A ansiedade é um tipo de estresse que pode ser causada por inúmeros fatores como, por exemplo, falta de liderança, traumas, medos, ausências, entre outros. O distúrbio é uma doença séria que compromete o bem-estar do cão, afeta os hormônios, neurotransmissores e outras substâncias químicas no organismo do animal, gerando problemas de saúde ainda mais sérios.

“A ausência do dono gera muita insegurança já que o tutor se torna o único elo do animal com o mundo externo”, conta o veterinário Adelmo.

A aposentada sorocabana Silvana Maria Modesto, de 55 anos, conhece bem o problema. Ela conta que seu cão chamado Prince, de 3 anos de idade, segue-a dentro de casa assim que percebe que a aposentada pegou as chaves do carro, além de já ter tentado fugir de dentro da residência para tentar alcançá-la na garagem.

“Na época eu trabalhava e ele ficava praticamente sozinho. Eu estava tirando o carro para sair trabalhar quando escutei um barulhão. Ele tinha quebrado o vidro da porta e cortado a pata”, lembra a tutora.

A aposentada conta que o cão, que foi um presente de seu sobrinho, quando filhote era calmo e não apresentava sintomas de ansiedade. No entanto, logo

descobriram que o animal estava com a doença do carrapato. Prince foi para o tratamento e foi aí que os primeiros sintomas de ansiedade começaram a aparecer.

“Ele começou a melhorar, crescer e desenvolver os primeiros sintomas de ansiedade e hiperatividade. Ele pulava nas pessoas e latia demais, precisava de duas a três pessoas pra segurá-lo na clínica”, conta a dona.

Atualmente, a dona de Prince fica mais tempo dentro de casa e percebeu uma melhora no comportamento do cão. “Ele fica menos nervoso! Mas se ele [Prince] perceber que eu peguei a chave do carro ou dinheiro, já começa a andar atrás de mim. É realmente um sufoco.”

· Falta de convívio: a maioria dos cães não possui estabilidade emocional para ficar sozinho o dia inteiro. Eles precisam de companhia, não necessariamente em tempo integral, mas o mínimo necessário para que haja um processo de interação entre seu tutor para que criem um vínculo emocional. A ausência deste convívio, pode contribuir para que o pet reaja tentando chamar a atenção do dono, por meio de comportamentos inadequados, pois o cão não aprendeu quais são seus limites.

· Ansiedade por barulho: nesta situação, o distúrbio surge gradualmente e vai piorando ao longo da idade do cão e sem nenhuma razão aparente. Para outros cães, já aparece quando filhote e permanece pela vida inteira. Este problema pode ser agravado em casos de chuvas fortes onde há barulhos de trovões ou fogos de artifícios, por exemplo.

· Falta de lazer e atividades: os cães precisam se entreter, seja por meio de caminhadas, brincadeiras com bolinhas, corridas, entre outros. Do contrário, podem desenvolver transtornos de ansiedade pela falta de distração e aumento do tédio.

Sintomas da doença

Nem todo cachorro com transtorno de ansiedade irá se comportar da mesma forma. Por isso, é comum que os tutores não consigam identificar este comportamento de imediato no animal, tratando o problema de forma errada. O veterinário Adelmo Miguel cita alguns dos sintomas de ansiedade canina:

· Os cães podem se tornar mais agressivos ou em algumas situações se mostrar apáticos e com comportamentos pouco convencionais;

· Começam a arrancar os pelos;

· Hiperatividade;

· Lambedura excessiva das patas;

· Perda ou ganho de peso;

· Feridas de difícil cicatrização;

· Alterações de apetite.

“Qualquer situação de mudança de comportamento deve servir de alerta para os tutores”, ressalta o veterinário.
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